segunda-feira, 2 de junho de 2008

Parte de ser idoso

Vê-se a alegria nas suas caras por estarem perante vida. Vida que vai aumentando tão rápido como a deles vai diminuindo.
É uma criança com os seus três anos que está com a sua tia (funcionária num lar de idosos). É inexplicável a forma como olham para a criança com vontade de serem como ela (apesar de todos nós também o querermos ser).
A criança, masculino de sexo, intimida-se com aquele que é a alegria do lar, quando este tenta brincar com ele. É um idoso, mentalmente meu filho (alias, filho de toda a gente excepto crianças, que no seu entender são como ele), divertido e feliz por não ter noção da realidade. É uma jóia de pessoa. Nunca vi tristeza descrita naquele rosto. Apenas cansaço, muito cansaço. É que mentalidade até pode ser de criança, mas o corpo não. E tanta corrida para trás e para a frente deixa-o exausto.
Este idoso estava a tentar brincar com a criança. Tenta que ele partilhe consigo os seus “popós” para poder fazer uma brincadeira diferente da que faz todos os dias: levar o lixo ao contentor. Mas não se pode, neste caso, falar em exploração, visto que o contentor fica à saída da instituição e não faz isso porque lhe pedem ou muito menos porque o obrigam. Ele gosta de ir levar o lixo. Procura lixo constantemente e, quando o encontra, leva-o de imediato ao tal contentor. Mas ali estava uma brincadeira diferente. Precisava era que a criança deixasse. Mas a criança, receosa, afugentou-se na tia. Sempre com olhares desconfiados sobre o idoso, esperou até que o este o olhasse com indiferença para poder voltar à sua brincadeira.
Já a brincar novamente, foi chamado por um outro idoso que para se deslocar precisa que alguém lhe empurre a cadeira de rodas. Para entrar em contacto com a criança precisa que esta se dirija a ele por sua própria vontade, e, obviamente, a criança não vai. Por timidez não foi, porque mesmo sendo eu tão estranho para ele como era o idoso, ao chamá-lo ele veio ter comigo. Será que a imagem mais inofensiva é mais assustadora?
Não foi por mal que a criança teve estes comportamentos. Na verdade, não sei eu se um outro alguém não “escreveu” sobre mim por com aquela idade ter reagido de igual forma.
Mas pior que termos já evitado essas pessoas é quando formos nós próprios evitados. Penso muitas vezes neste assunto. A vida passa tão rápido! Rápido demais para fazermos algum tipo de avaliação dela…